Voto e educação
Interesse em eleições e escolaridade estão intimamente relacionados. É o que afirma o professor da Universidade Federal Fluminense Alberto Carlos Almeida, em entrevista à Agência Brasil. Baseado em pesquisas reunidas e publicadas no livro A cabeça do eleitor é uma cabeça lógica, Almeida faz um retrato do comportamento do povo na hora de votar e estabelece alguns critérios do eleitor para escolher seus representantes.
Voltemos, no entanto, à declaração que abre este post. Segundo o professor, quanto menor a escolaridade, menor o interesse pela política. Como a escolaridade no Brasil é baixa, então o interesse médio pela política é bastante baixo. Essencial observação para provar um pouco daquilo que falamos sempre por aqui, no que diz respeito ao acesso mais amplo ao sistema público de ensino.
A lógica do processo é simples, realmente. Como exigir dos jovens uma participação naquilo que ele desconhece? E mais, que é mostrado para ele com um antro de corrupção pela grande mídia. O próximo passo é ter um eleitorado cada vez menos crítico e mais fácil de se conquistar, principalmente com promessas vagas. Ao privar as novas gerações do conhecimento histórico e social do país, tira-se a crença em toda e qualquer representatividade ideológica e política.
Nesses 40 anos de lembranças do movimentado 1968, por exemplo, ouso dizer que a grande maioria dos estudantes de ensino médio e fundamental conhece pouco ou nada sobre o que foi esse período sombrio da ditadura. O que é muito desalentador, já que as conseqüências dessa fase são sentidos até hoje e a despolitização é uma das chagas mais visíveis. O jovem deveria, pelo contrário, protagonizar a vida política brasileira.
Leia Mais: Agência Brasil - Professor diz que participação política tem relação direta com escolaridade
enviada por Gustavo Petta
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