Livros: artigos de luxo
Semana passada, mostramos aqui uma ação da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), na Unicamp, em Campinas, em que foram apreendidas quase 300 cópias de livros. Alguns deles, segundo a própria Associação, custavam mais de R$300. Um preço alto para estudantes e que não foi levado em conta na hora de se condenar o uso das xerox.
Matéria da Agência Brasil desta terça pode nos mostrar a que interesses servem ações como essa. Há quase quatro anos, o governo lançou o Programa Nacional de Livro e Leitura (PNLL), que previa isenção de impostos para livrarias, editoras e distribuidoras. Essa redução, na teoria, deveria ter sido passada ao leitor e o MEC previa uma queda de 10% nos preços.
Todos sabemos que as editoras não só não repassaram essa redução ao consumidor como também é uma média razoável pagarmos R$50 ou R$60 numa publicação. No fundo disso tudo está a "caça às cópias", que nada mais é do que uma defesa dos interesses de grandes empresas.
O atual coordenador do PNLL, Jéferson Assunção, afirmou à Agência Brasil que, além desse incentivo, seria necessário criar uma cultura de leitura, investindo em bibliotecas públicas. Muito correto, mas pouco combativo para facilitar a democratização do acesso à cultura. Assim como a mercantilização do ensino, o viés totalmente mercadológico das publicações só aumenta o abismo entre as camadas sociais.
Tudo isso às vesperas do Dia Mundial do Livro.
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enviada por Gustavo Petta
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