Futebol, Carnaval e...
E a cerveja já não faz parte deste trio que reinava pelos estádios do Brasil. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sob a alegação de redução da violência, proibiu desde a semana passada a venda de bebidas alcoólicas nos estádios de todo o Brasil. A medida já valia em São Paulo e agora se estende ao país. Apesar do ar de boa ação, há por trás disso muita coisa estranha e contradições.
Primeiramente, não dá para resumir as ações de contenção da violência na restrição ao álcool. Acredito até que não haja uma comprovação efetiva da relação cerveja e briga. Basta tomarmos o exemplo paulista - já que não há vendas de bebidas por aqui há quase 15 anos - para comprovar que não diminuíram os conflitos entre torcedores. Além disso, a eficácia da medida é contestável, pois o sujeito pode chegar bêbado ao jogo.
Já ressaltamos aqui o linchamento público que sofrem as torcidas organizadas e, ao que parece, essa proibição segue o mesmo pretexto de usar o combate à violência como desculpa. Só de saída, não consigo acreditar que a CBF realmente esteja preocupada com o torcedor. Trata-se, na verdade, de mais um passo na elitização do futebol, um esporte que em sua essência é do povo.
Seguem, então, alguns questionamentos. Por que, enquanto todos nós não podemos mais beber nossa cervejinha nas arquibancadas, os bacanas em seus camarotes ar-condicionados têm uísque, vinho e vodca (bebidas com teor alcoólico muito maior) à vontade. Pau que bate em Chico não bate em Francisco? E se esses caras saírem embriagados dos tais camarotes e arranjarem briga na rua ou atropelarem alguém?
Essas são as mais gritantes evidências de que os dirigentes querem afastar o povão do futebol - seja no preço na possibilidade de sua organização e no copo -, valorizando quem tem dinheiro e mercantilizando a paixão clubística. Mais exemplos disso? Ingressos para as finais do Paulistão custam, no mínimo, R$40. A extinção das gerais do Maracanã (vide a foto), talvez o mais democrático dos espaços para torcedores. E a Rede Globo mandando e desmandando nas tabelas, marcando partidas para depois da novela (alguém aqui conseguiu pegar o metrô em jogos noturnos no Morumbi?).
Diante de todas essas constatações, não duvidem se, no final desse processo, a gente seja proibido até de gritar gol do nosso time.
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enviada por Gustavo Petta
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