Folha acaba com o Projeto Folha
A Folha de S. Paulo inovou o jeito de se fazer jornal no Brasil na década de 80 com seu Projeto Folha. Estabeleceu normas industriais e conseguiu ampliar sua circulação, tornando-se o maior diário do país. Além disso, trouxe regulamentações para a redação, padronizando a publicação. Porém, uma das grandes novidades foi a figura do ombudsman.
Seria ele o responsável por apontar erros - éticos, de apuração, de avaliação da informação - e sugerir novos caminhos para tudo que fosse publicado. Era também o porta-voz dos leitores, dando voz a reclamações, anseios e sugestões daqueles que pagavam pela notícia. Era, vejam bem.
Neste domingo, o jornalista Mário Magalhães se despediu do cargo. O motivo: restrições às críticas diárias que ele fazia na internet. Na nova concepção, os comentários terão acesso restrito a funcionários do jornal, ficando aberta apenas a coluna dominical na edição impressa. Segundo Magalhães, "o comando da Folha esgrimiu um argumento para a decisão: no ambiente de concorrência exacerbada do mercado jornalístico, idéias e sugestões do ombudsman são implementadas por outros diários. De fato, isso ocorre. E continuará a ocorrer".
Com isso, a Folha restringe não só o seu ombudsman, mas a tal pluralidade que sugeriu seu próprio Projeto. Fecha as portas para a opinião dos leitores e perde, inclusive, a chance de se apresentar no tal "mercado jornalístico" como o precursor das grandes inovações.
Deixamos aqui nosso repúdio a mais um ato de puro conservadorismo da Folha e o apoio à Mário Magalhães, utilizando como justificativa mais um trecho de sua coluna de despedida: "torno-me o segundo a não prosseguir por mais um ano. Todos foram convidados a ficar. Sou o primeiro a ter como exigência, para renovar, o retrocesso na transparência do seu trabalho."
enviada por Gustavo Petta
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