Em tempo, para a geração de 68
O grande amigo José Carlos Tisiu mandou uma bela poesia que relembra e homenageia a juventude de 1968. Tomo a liberdade de reproduzi-la aqui, como um tributo a essa geração que tanto contribuiu politicamente para o país na luta contra a ditadura militar.
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O Tempo
Correm os dias da minha juventude
Entre os dedos da mão
É difícil calcular as aventuras vividas
Carreguei todos os desejos possíveis
Nem sei quantos amores desejei
E não tive
Precocemente, sem avisar, a vida real
nas ruas da periferia
destruiu muito dos meus sonhos
E com ela lamentavelmente
Vai chegando a maturidade
A vida adulta parafraseando Guimarães Rosa
É Muito perigosa
Escapa-me entre meus dedos
Os dias da minha juventude
Porém nem tudo é uma canção de lamento
Entre linhas uma voz no rádio
Canta Vandré, Bob Dylan, Joan Baez, Chico
E o sinal fechado de Paulinho da Viola
Uma alegria subterrânea invade minha alma,
Sem entender subvertemos a ordem
Nas paredes do mundo uma mensagem
Os professores estão velhos
É proibido proibir
O fixo virou móvel
O superficial, profundo
O estático, dialético
E um grito profundo
Das ruas de Paris ganhou o mundo
Não à guerra do Vietnam!
Não ao império colonial nas terras negras africanas!
Não aos tanques de guerra da opressão!
Nas ruas de Praga a juventude e os operários gritam
Fora a burocratização!
Não aos regimes ditatoriais na América Latina
Fora Pinochet!
Fora Médici!
Fora Videla!
Fora Somoza!
Fora Borda Berry!
Fora Stroessner!
Fora Nixon!
Longa vida aos panteras negras de Malcom X!
À Honestino, à Helenira, à Alexandre Vanucchi, à Fiel Filho
Contradizendo Lennon
Os estudantes do mundo dizem
O sonho não acabou
Cortando forte os ventos dos Andes
Derrama de forma doce e profunda
Os versos de Victor Jará
Nas palavras de Allende na última hora
Pelas alamedas e avenidas
o novo ser humano surgirá
Correm os dias de minha juventude
As ruas, os cabelos grisalhos
Não possibilitam mentir
Os sonhos e os desejos
São sempre um ponto de partida
Não predomina na mente
O receio do novo.
Não é tempo dos desejos pessoais
Sufocar múltiplas ações coletivas
Correm os dias de minha juventude
Já não sinto saudades
Outros jovens persistirão!
Abril 2008
José Carlos Tisiu
enviada por Gustavo Petta
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