A imprensa é o Judiciário?
Em mais um caso de exploração da tragédia alheia, está de assustar a cobertura incessante da imprensa sobre a morte da menina Isabella, no último fim de semana. Em menos de cinco dias, o caso passou de acidente para homicídio, e pelo menos três "culpados" já foram condenados pelos veículos de comunicação - o pai, a madrasta e um suposto invasor da casa onde ocorreu o crime.
A imprensa é especialista nisso. Casos afloram periodicamente (o último que me vem à cabeça antes desse foi o do filho acusado pela morte do pai, sendo que ele também havia sido vítima de um assalto) e a irresponsabilidade dos jornais e revistas nunca são pauta.
As redações fazem sua própria audiência, emitem sentenças e submetem seus "culpados" a desmoralizações públicas. Vejam: não se faz aqui uma defesa dos dois acusados no caso recente. Faz-se uma crítica a essa necessidade insana de saber logo quem é o mordomo da história. Enquanto isso, coisas básicas como apuração de fatos ficam em segundo plano.
Ao que parece, os veículos não estão preocupados com a tal da credibilidade. E muito menos em voltar atrás e admitir o erro quando ele se torna latente. Tudo vale na disputa da melhor notícia, mesmo que ela seja baseada no mais profundo achismo.
Já falamos aqui de algumas irresponsabilidades da mídia, como o que aconteceu com a cobertura da febre amarela e o caso do padre Júlio Lancelotti. Caso estejam errados, farão os jornalistas sua mea culpa e ficarão ilesos? Ou pior, irão fingir que nada aconteceu?
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enviada por Gustavo Petta
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