Cartilha para blitz
Medida polêmica da Secretaria Especial dos Direitos Humanos evidencia problema de longa data: a falta de confiança na polícia por parte da população. O órgão do governo federal lançou um guia que ensina principalmente os jovens da periferia das grandes cidades como se portar diante de uma abordagem polícial.
Como pontos positivos, dá para citar o esclarecimento sobre os direitos do abordado (saber a identificação do policial, ser revistado por um oficial do mesmo sexo, poder acompanhar a revista a veículos e ter para isso testemunha civil, ser preso somente em flagrante ou por ordem judicial, manter-se em silêncio caso for preso, e não ser algemado, a não ser mediante ato violento ou fuga).
Por outro lado, há uma extensa lista de regras para evitar conseqüências mais graves com as abordagens da polícia. O que, no limite, é algo muito sem sentido, já que inverte totalmente a razão de existência da força policial.
Segundo reportagem (só para assinantes) da Folha de S.Paulo, a medida não pretende se contrapor à polícia. Trata-se apenas de uma solução prática e pontual para poupar vidas e informar o povo. Porém, devemos insistir no que é mais grave: a falta de credibilidade da corporação, principalmente nas áreas mais pobres.
Vale fazer a ponderação de que isso não é resultado da má-índole dos policiais. Arriscar a própria vida sem contar com infra-estrutura e recebendo muito pouco para isso motivam uma série de erros de conduta. Erros sempre lembrados, mas nunca sanados quando se fala em segurança pública. Enquanto isso, a gente chega ao extremo de ser necessário uma cartilha para não morrer pelas mãos daqueles que deviam nos proteger.
enviada por Gustavo Petta
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