Quem merece ser roubado?
Essa deveria ser a pergunta na capa da revista. A resposta seria: não, ninguém merece. Nem o santo Luciano Huck, cidadão correto, pagador de impostos e realizador de obras sociais, nem o cidadão comum. Na discussão sobre o roubo do rolex do Huck, mais do que se comover com a situação sofrida pelo empresário e apresentador, o correto é se perguntar: o que leva as pessoas à prática do roubo?
Coisa que Luciano Huck nem pensou em fazer. Gastou uma frase no seu revoltado artigo: Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. Já o endiabrado Ferréz - autor de Capão Pecado - com argumentos extremados, tentou mostrar num artigo de resposta ao de Luciano, a visão do bandido. Chegou à conclusão que no final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.
Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Roubo é crime, seja com quem for. Agora, temos que pensar na raiz do problema.
Ao contrario do jornalista da Veja, Reinaldo Azevedo, que em artigo sobre o assunto Huck, na folha de hoje, se limita a comparar o número de presos com o número de homicídios em estados brasileiros, ou seja, a solução é só prender as pessoas, que tal nós pensarmos em termos de índices de desenvolvimento humano e criminalidade. Afinal, na Suíça, onde foi fabricado o ex-relógio do Luciano, a criminalidade é baixa e as pessoas podem andar tranqüilamente com um rolex no braço. Por que será hein? E não me venham com desculpas culturais, pensem em renda.
enviada por Gustavo Petta
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