Não percam. Companhia do Latão no TUSP
Não deixaria de relatar no Blog, como foi bom ir no domingo passado, assistir ao espetáculo “O Círculo de Giz Caucasiano” da Companhia do Latão. A peça foi escrita por Bertolt Brecht, em 1944, durante seu exílio nos Estados Unidos. Ela é um conjunto de narrativas sobrepostas: um prólogo, em que um grupo de camponeses se reúne, para discutir o direito à propriedade; uma encenação em tom de fábula sobre Grucha, a empregada que cuida de uma criança abandonada e a tragicomédia do beberrão juiz Azdak, que distorce o direito burguês, para se aproximar de uma verdadeira justiça. O texto é considerado o mais radicalmente épico de Brecht.
A encenação representa para a Companhia, um novo ciclo na sua história. Resulta do contato do núcleo formador dirigido por Sérgio de Carvalho mais artistas de outros grupos teatrais importantes, como a Companhia São Jorge de Variedades. Promove um retorno á obra de Brecht, principal inspiração do grupo em sua origem e reaviva o sentido da pesquisa em Teatro Dialético do grupo.
Muito interessante também, o vídeo do prólogo da peça que foi gravado no assentamento Carlos Lamarca do MST, em Sarapuí (SP). Conversei, no intervalo, com o Sérgio Carvalho, falamos um pouco sobre a obra e o projeto permanente que eles tem com o MST. Ele me contou que os camponeses, presentes no vídeo, foram, pela primeira vez ao teatro, nas apresentações da peça. Além do Sérgio, foi muito bom reencontrar alguns amigos. O Ney Piacentini, atual presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, que brilha no papel do juiz Asdak; a Carlota e o Luis Mármora, companheiros da minha irmã Cristina Petta na Companhia São Jorge.
O espetáculo estreou em 2006 no Rio, está agora no TUSP, e no inicio de setembro vai para o Festival de Teatro de Cuba. Boa viagem, Latão!
enviada por Gustavo Petta
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